Sobre "Crash, no limite"

Antes de entrar na minha “crítica” dois avisos: primeiro, não sou muito crítica, gosto muito de muitos filmes, assim como de músicas e livros, uma empolgada com a criação! Segundo, é meio chato ficar se referindo às pessoas como: o latino, o branco, o negro, o chinês, o japonês, etc. Contudo, precisei fazer isso aqui.

 

 

Há três semanas assisti ao filme “Crash, no limite”. Não sei por que nunca o aluguei, sempre fiquei com ele na mão, acabava largando e pegando outro, mesmo estando morrendo de vontade de vê-lo, talvez pelo excesso de escapismo que sempre me atinge nas locadoras, acabo pegando uma comédia romântica ou algum filme de fantasia. Felizmente, meu irmão trouxe o DVD.

 

Na sinopse: “Você pensa que conhece a si mesmo. Você não faz idéia”. Frase muito apropriada ao filme, assim como o “no limite”, todos os personagens estão prestes a explodir por algum motivo, o filme chama pela sua tolerância toda hora. Você se vê julgando a atitude de algum personagem, logo depois a vida de tal personagem é apresentada, como se escrevesse na tela: Seja mais compreensivo, por favor.

Tudo se passa após o 11 de setembro em Los Angeles, vários núcleos de personagens vão se interligando até o final do filme: um casal norte-americano, brancos, ricos e vítimas de um assalto; um chaveiro de origem latina; uma dupla de detetives da polícia, ela porto-riquenha (se não me engano) e ele negro; uma família persa tentando se estabilizar nos EUA; o diretor negro que se conflita com os estereótipos e sua esposa que se envolve numa das situações mais tensas do filme; outra dupla de policiais, dois norte-americanos brancos, sendo que um deles, inicialmente, me deu medo, é dele a frase que destaquei acima; dois jovens assaltantes negros, os diálogos deles são ótimos, momentos tragicômicos do filme; e ainda, um casal chinês que reserva uma surpresa para o final.

 

O roteirista desse filme, Paul Haggis, é também o diretor (trabalho difícil como percebi na aula de ontem da Adriana) e o resultado é um filme que tira o fôlego, não sei se o ilustre visitante já passou por isso, perder o ritmo natural, esquecer de respirar! E o filme é curto, também, tudo acontece tão rápido, isso mesmo, na ponta da poltrona, do sofá, ou da cadeira, no limite mesmo. Cada ação (ou reação) é fundamentada no preconceito, na vingança, quem assistir não poderá sair indiferente à conclusão de que não se pode levar tudo “a ferro e fogo”, nem cair no “olho por olho, dente por dente”. É perigoso e triste demais. E Haggis conduz todo esse universo complicado sem cair em estereótipos (a não ser quando ele mesmo quer mostrar) ou em maniqueísmo. Outro ponto forte do filme são os atores, todos, todos mesmo têm atuação brilhante. Todos são protagonistas, é como na vida real, cada um é protagonista da sua própria história.

 

E no final é possível até relaxar, Paul Haggis deve ser otimista e deve acreditar que todo ser humano pode mudar para melhor, se quiser. Eu acredito nele. Um ótimo filme, legal ver que Hollywood ainda produz clássicos, acho que Crash será visto no futuro como um clássico, igual aos filmes preto e branco que nos impressionam tanto hoje. Enfim, o Oscar 2006 foi muito justo!