Quero um lindo balão azul

Essa é uma crônica do arquivo, uma pessoa que gosto muito fez a leitura dela para um trabalho de rádio no início do ano passado. Sempre quis publicá-la...

 

Às vezes chamam minha atenção por eu ser distraída, uma amiga me disse há poucos dias que eu já estou em outro satélite, da nossa Lua já mudei para a Lua Caronte de Plutão que é muito mais distante. Cheguei em casa, fiquei pensando nisso e fiz uma lista de situações, talvez uma auto análise mostre um caminho para a cura desse mal.

Situação 1: Belas paisagens.

Cinco e meia da tarde. Esse é o melhor horário para se pegar a estrada. É a coisa mais linda! O sol se pondo irradia luz avermelhada e deixa a vasta paisagem mais verde ainda, se estiver ventando o espetáculo é maior, há uma vegetação de pequeninas flores rosadas na beira da estrada que fazem um verdadeiro balé. Resultado: Ando a 80 por hora e me atraso para o compromisso da faculdade.

Situação 2: Lapso de memória por abstração

Essa é boa, porque mostra que distração está intimamente ligada à falta de memória. Dou várias voltas no shopping para encontrar uma vaga, durante esse processo fico muito atenta, quando a encontro relaxo imediatamente, logo, me abstraio da situação e vou feliz ao cinema como se tivesse chegado a pé. Resultado: na hora de ir embora não lembro onde estacionei.

Situação 3: Excesso de espanto

Eu arriscaria dizer que o espanto exagerado é o grande responsável pelo meu alheamento. Nota-se que ele já apareceu na situação 1, das Belas Paisagens, contudo, o excesso aqui é muito mais excessivo. Outro dia fui escolher arroz com a minha mãe (separar a sujeira do grão bom), de repente, olhei para aquele montinho em cima da mesa e fiquei impressionada com o arroz: a geometria dele, a espessura, o quanto parece plástico e depois... Meu Deus! Depois de cozido ele se transforma naquela coisa molinha e agradável que nada no meu caldo de feijão! Resultado: minha mãe escolheu todo o arroz sozinha.

Poderia analisar mais situações como aquelas nas quais o corpo se distrai com os passeios da mente: estudando, mordi a borracha e esfreguei a bolacha no caderno; ou minhas buscas pelos meus óculos que já estavam na minha cara, no entanto, acabo de lembrar que fiquei de enviar essa crônica na hora do almoço e você não vai estranhar se eu disser que não almocei até agora porque me distraí escrevendo.